Viver em áreas mais verdes ajuda o desenvolvimento cerebral de crianças

Estar em meio a natureza é sempre muito agradável e relaxante, não é?

Pois saiba que, além de prazeroso, crescer - e viver - entre árvores e flores pode ajudar no desenvolvimento cerebral das crianças.

É o que concluiu a recente pesquisa realizada pela University College London.

Segundo o estudo, crianças criadas em áreas mais verdes de cidades ou vilas poderiam se sair melhor na escola porque seus cérebros se desenvolvem de maneira diferente.

Elas acumulam mais massa cinzenta em parte do cérebro, o que ajuda a capacidade de concentração e raciocínio matemático.

De acordo com os pesquisadores, o aumento da massa cinzenta significa que as crianças têm uma melhor memória, em especial a memória operacional espacial.

Acredita-se que as plantas ajudam o cérebro a se desenvolver porque são mais agradáveis de se olhar e ouvir do que os ambientes criados pelo homem.

Portanto, é menos provável que cansem o cérebro.

Essa descoberta enfatiza, de acordo com os cientistas, a importância de arquitetos e governos incluírem espaços verdes em bairros nas cidades.

Foram investigadas a memória operacional espacial de 4.758 jovens de 11 anos, nascidos em 2000 ou 2001, moradores da Inglaterra.

A quantidade de espaço verde na vizinhança de uma criança foi medida observando a área no Google Maps.

Isso foi então comparado com o desempenho das crianças nos testes de memória operacional espacial, como a necessidade de lembrar uma forma ou a cor do brilho em uma tela.

As crianças que vivem em áreas menos verdes tiveram pior desempenho nos testes, e vice-versa.

E os resultados não foram afetados pela pobreza, educação dos pais, participação esportiva ou privação de bairro.

Para você entender melhor: a memória operacional espacial é essencialmente a capacidade das pessoas de registrar informações sobre o que podem sentir ao seu redor.

Isso afeta sua capacidade de se adaptar a novos ambientes, lembrar o que  viram e onde estão as coisas, encontrar objetos ou lugares e lançar mão de diferentes informações enquanto realizam tarefas não relacionadas.

Também está intimamente ligada à capacidade de prestar atenção e concentrar-se nas coisas, bem como nas habilidades matemáticas - ambas vitais para o bom desempenho escolar.

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O autor do estudo, professor Eirini Flouri, disse: “A memória memória operacional espacial é uma importante habilidade cognitiva que está fortemente relacionada com o desempenho acadêmico em crianças - particularmente o desempenho em matemática. Nossas descobertas sugerem um papel positivo do espaço verde no funcionamento do cérebro.”

Podemos dizer então que a exposição a ambientes naturais e verdes restaura os recursos de atenção, impondo menos demandas ao processamento visual ou auditivo.

"Períodos prolongados que exigem o uso de atenção 'dirigida' resultam em fadiga mental, que é caracterizada por se sentir irritada e ser facilmente distraída."

O professor Flouri acrescentou que o espaço verde também pode melhorar a saúde e o bem-estar dos pais, o que, por sua vez, melhora a vida de seus filhos.

Esse pode ser um forte incentivo para a implantação de mais tarefas escolares ao ar livre e encorajamento de arquitetos e planejadores para manter parques e espaços abertos.

Uma equipe espanhola descobriu que crianças que moram perto de parques, jardins ou bosques - ou que tenham muitas áreas verdes no caminho das escolas - estavam um ano à frente daqueles que viviam na "selva urbana".

As descobertas da equipe foram publicadas no British Journal of Educational Psychology.

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